Na beleza do ser vivente se encontra, para além das aparências, a magnitude do santo em seus gestos espontâneos de existir.

Somos seres espirituais vivendo uma aventura humana. Habitamos o mundo, possuímos um corpo e, com ele, nos relacionamos e interagimos com os outros e com os ambientes em que estamos. Somos afetados todo o tempo por uma infinidade de estímulos e respondemos a eles, afetivamente também, manifestando sentimentos e percepções, ordenados ou não na medida do nosso possível.

Nesse sentido, notamos que nossa vida espiritual não avança por meio de rupturas ou de saltos bruscos, ao contrário, ela se parece mais a um itinerário sinuoso, atravessado por toda sorte de elementos. Por isso, quando menos se espera, descobrimos que algo vai mudando no percurso e, consequentemente, dentro de nós: sentimo-nos provocados e somos despertados por gestos de bondade, de solidariedade, de compaixão. Essas atitudes constroem pontes e, em lugar de muros, unificam nossas experiências, porque integram caminhos e possibilitam acessos, conectam mundos e ampliam visões.

É assim que nossa sensibilidade vai expandindo nossa capacidade de habitar de maneira cuidadosa os espaços onde vivemos, nos movemos e existimos. Essas pontes geram vida e esperança, levam-nos a distintos lugares, alargam a perspectiva do nosso olhar. E, quando isso acontece, nos damos conta de que o Sagrado, presente no mundo, manifesta-se e se revela, aqui e além, sem determinações, surpreendendo nossas certezas e possibilidades.

Essa mostra pretende, com isso, provocar e tocar nosso ser mais profundo, o sagrado primitivo interior, e despertar nossos sentidos para a manifestação da Beleza existente na diversidade do mundo. Nesse lugar, não há espaço para preconceitos, discriminação ou julgamentos, há tão-somente a empatia do amor e o desejo e a necessidade de amar, vindos, com abundância, da parte do Absoluto Transcendente a que chamamos: Deus!