Zé Elias

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Vila do Sino

Zé Elias

Dimensões: 0,60X0,80
Técnica: Acrílica sobre tela

Hoje acordei com um grito surdo,
vindo do fundo de um lugar distante,
e eu tinha certeza que ouvia.
Alguém subia gritando.
Era Seu Zé Elias, ligeiro,
que passava chamando:
‘Padeiro! Ô padeiro!’
Engraçado, mal se escutava,
a mãe vinha acordar a gente:
‘Depressa, menino,
senão vão ficar sem pão!’
Enchia as mãos de moedas,
contava cada tostão.
Corria atrás do velho
que empurrava seu balaio
num velho carrinho de mão.
Até agora não sei
por que acordei assim,
querendo preencher essa lacuna:
não houve grito, não havia nada,
mas Seu Zé Elias não me deixava dormir. Sua voz ainda me chega de longe,
e eu sei que não vai ter pão.
Só seu grito me consola.
Conto depressa o dinheiro
e corro para o portão.
Isso me dá paz o dia inteiro
e acalma meu coração.
‘Ô, Zé Elias, nunca pensei
que esse tantinho de vida
valesse cada tostão’