Zago

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Vila do Sino

Zago

Dimensões: 0,50 X 0,80
Técnica: Acrílica sobre tela

“Ah se eu falasse…”
As pessoas chegavam à janela,
era o Zago subindo a rua.
“… o mundo ia acabar…”
O que seria desta vez?
A molecada gostava dele,
os cachorros o rodeavam,
mas o resto olhava desconfiado.
ra Luís Gonzaga de nome,
mas era Zago há muito tempo,
a vida o apresentara.
Sem rumo, ali chegara
e por lá mesmo ficara.
“Ah se eu falasse…”
O povo lhe dava comida,
não lhe faltavam roupa e bebida.
Tinham medo do que ele dissesse,
e Zago insistia:
“o mundo ia acabar…”
Ele era indefeso,
mas suas palavras tinham peso.
Zago via muita coisa,
sabia muitos segredos,
mas tudo vinha misturado,
remexido nos seus delírios,
nem valia a pena ter medo.
E ele repetia:
“Ah se eu falasse…”
E reavivava a memória da gente:
“o mundo ia acabar…”
Alguns diziam:
“Ele está possuído”,
“É, bebeu demais!”
Zago, porém, não dava nomes,
narrava os fatos,
mas não errava jamais.
Na hora, ninguém sabia quem fez o quê,
era o cúmplice de toda a gente,
o mais ajuizado dos sem juízo.
No entanto, hoje, subiu a rua gritando,
parou no alto do morro,
e completou irreverente:
“Não acaba não, mundão!”
Não teve um que não risse,
e que de alívio não suspirasse,
esperando pela profecia
de que o mundo se acabasse…