Silvano

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Vila do Sino

Silvano

Dimensões: 0,88X1,05
Técnica: Acrílica sobre tela

A gente vê sair o ouro das pedras, mas não se dá conta.
Não dá conta, Silvano,
da vida lá fora,
do choro das viúvas,
do leite das crianças,
da tosse que não passa,
do ouvido que não escuta,
do convívio com a morte.
A gente põe um cruzeiro no alto
para lembrar dos que já foram,
Silvano, mas, no fundo, a gente nem precisa…
No fundo, é outra coisa.
No fundo da gente,
no fundo do poço,
no fundo, no fundo…
tão profundamente que,
sei lá, ninguém vê nada
de tão profundo…
A gente dá conta
e não dá, Silvano,
de comer comida fria,
de beber água sem filtrar,
de dormir pouco todo dia,
de não ter onde morar.
Mas o ouro sai no fim das contas, Silvano,
e lá no alto do morro
não precisa me explicar
de que morte eu tanto morro
quando paro de pensar.
Esta vida é mais que um sopro,
raio doce de luar,
passa boi, passa boiada,
eu não posso mais contar!