Carlos

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Vila do Sino

Carlos

Dimensões: 0,50 X 0,70
Técnica: Acrílica sobre tela

Carlos dedilha a mesma melodia há séculos.
Já deu tempo de aprender outras,
mas por que insiste na mesma?
Quis tocar na velha banda
e lhe faltou coragem. Talvez desse certo.
Tentou de tudo: ficou à toa na vida,
o amor lhe chamou,
foi ver a banda passar.
O correio não veio,
o tempo passou,
perdeu o tom, o trem e a hora.
Ainda essa música agora?
Do fundo do quarto,
um barulhinho de telégrafo
e velhos postais arrancados um a um. Sopra, dedilha,
escorre os dedos nas teclas
suspira…
sem se decidir
por nenhum instrumento,
nem pela banda,
nem pelo amor…
A vida vai passando esmaecida
e sem pressa
enquanto a vila na mesma toada,
não vira o disco
não a muda a canção.
Hoje “a viola fala alto”,
o violino e o violão.
Amanhã teclado velho, mudo piano.
Arranja fôlego para flauta, gaita,
o arremedo e o desengano.
A gente estranha o Carlos
não toca na banda, insano;
não muda de música
e desafina o humano.