Bento

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Vila do Sino

Bento

Dimensões: 0,60 X 0,85
Técnica: Acrílica sobre tela

Pipas e papagaios colorindo o céu,
laçadas e cerol cortante
haja papel e barbante
para parar a saga do menino errante.
Erra na rua,
chinelos gastos, borracha e lona,
entre carrinhos de rolimã e patinetes.
Bento tem nome de santo,
até queria ser um deles,
mas dizem que não é flor que se cheira.
Anda iludido, fedido e mal vestido,
cutuca perebas que não saram nunca.
Engraçado,
não tem sangue ruim,
sua mãe é beata
e lhe cata piolho,
tira bicho de pé.
Faz caridade para si.
Bento fica de molho,
corre em volta da casa
e não sabe o que é
quando a garganta coça
e lhe dói a barriga.
É dor demais para interpretar!
Quase morre de fadiga,
e queria ser santo,
fazer jus ao nome,
mas acha que não vai dar.
Quando está em apuros
ou algo acontece
repete logo a prece
que aprendeu com a avó
e tenta se ajeitar:
“São Bento, água benta,
Jesus Cristo no altar,
afasta cobra, arreda bicho,
deixa o filho de Deus passar!”