Beatriz

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Vila do Sino

Beatriz

Dimensões: 0,50 X 0,80
Técnica: Acrílica sobre tela

Lá na curva do rio,
todas as manhãs,
Beatriz repetia o mesmo movimento:
batia contra a pedra a roupa suja,
esfregava, enxaguava e torcia.
Mas também cantava,
mas também sorria…
Beatriz não parecia ser nome de lavadeira,
talvez nem tivesse idade para isso.
Ajudava a mãe,
descia cedo para buscar água na bica,
enchia os tachos, lavava as vasilhas
e sonhava alto.
Cantava mais alto ainda!
Era bom de ouvir,
ria sozinha…
Com as trouxas na cabeça,
equilibrava histórias.
Ia longe nos colarinhos,
nas toalhas de mesa farta,
nos lençóis de linho.
Com a água no meio da canela,
um pedaço de sabão de bola,
tirava manchas, limpava a gola,
quarava a vida e engomava os panos.
Mas por que cantava?
E por que sorria?
Um enredo novo cada dia,
escorria solto pelo sabão,
limpo e alvejado, cheio de imaginação.
Beatriz abre as trouxas,
separa as cores,
encharca a alma, e isola as dores.
O sujo desce no frescor da água,
A vida é lavada no calor do dia.